Inteligência Artificial na Escrita: Ferramenta Criativa ou Risco de Plágio?

Inteligência Artificial na escrita: ferramenta criativa ou risco de plágio?

Inteligência Artificial na Escrita

Nos últimos anos, testemunhamos uma mudança profunda na maneira como o conteúdo é criado. A chegada de ferramentas de inteligência artificial generativa, como o ChatGPT, Copilot, Bard e outras, colocou escritores, jornalistas, educadores e editores diante de uma nova realidade:

Estamos vivendo uma revolução na escrita.

Mas, como toda revolução, ela vem acompanhada de incertezas, desafios legais e dilemas éticos.
Afinal, usar IA na produção de um livro é legítimo? Ou é um risco jurídico e autoral?

O que a Inteligência Artificial na escrita pode fazer por um autor?

A IA generativa tem potencial para atuar como assistente editorial em diversas etapas do processo criativo. Autores profissionais já utilizam essas ferramentas para:

  • Fazer brainstorming de ideias;
  • Criar estruturas de capítulos;
  • Sugerir títulos, subtítulos ou nomes de personagens;
  • Auxiliar na pesquisa e resumo de fontes;
  • Indicar sinônimos, variações de linguagem e aprimorar o estilo;
  • Traduzir trechos para consulta ou comparação;
  • Automatizar revisões ortográficas e gramaticais iniciais.

Essa capacidade de apoio pode representar um enorme ganho de produtividade, principalmente para autores técnicos que precisam manter alto volume de produção com precisão.

“A IA não substitui a criatividade humana, mas pode ajudar a ampliá-la, se usada com consciência.”

 Cláudio Araújo Schüller

O risco do plágio não intencional

Apesar dos benefícios, o uso descuidado da IA pode levar a problemas sérios de plágio, muitas vezes de forma não intencional.

Por quê?

As IAs generativas, como o ChatGPT, são treinadas com vastos volumes de textos disponíveis publicamente na internet, livros, artigos, blogs, fóruns, entre outros. Isso significa que, em alguns casos, o conteúdo gerado pode se assemelhar demais a obras já existentes e protegidas por direitos autorais.

Situações de risco:

  • Copiar e colar trechos gerados pela IA sem revisão ou checagem;
  • Incluir frases ou parágrafos que “soam naturais”, mas já existem em outro livro;
  • Utilizar referências, dados ou citações sem verificação da fonte.

Importante: A responsabilidade por eventuais infrações não é da IA. É do autor que publica.

Questões legais: a obra criada por IA pode ser registrada?

Essa é uma das perguntas mais frequentes, e também uma das mais complexas do momento.

Como está a situação no Brasil?

Lei de Direitos Autorais (Lei nº 9.610/98) foi criada muito antes do surgimento da IA generativa. Ela parte do princípio de que a criação deve ter origem humana para ser considerada obra protegida por direito autoral.

Hoje, a Biblioteca Nacional, por exemplo, não aceita registros de obras criadas exclusivamente por máquinas. Para que o registro seja válido, o autor precisa declarar que a obra tem origem humana, mesmo que tenha sido coadjuvada por ferramentas tecnológicas.

No exterior, a maioria dos órgãos de copyright, como o U.S. Copyright Office (EUA) e o UK Intellectual Property Office (Reino Unido), também nega proteção a obras integralmente geradas por IA.

Conclusão legal:

Se a sua obra for 100% gerada por IA, ela pode não ter proteção jurídica.
Se for escrita por você com auxílio da IA, ela pode ser registrada, desde que você assuma a autoria plena.

IA e responsabilidade civil: quem responde por erros?

Outro ponto sensível: quem é o responsável se a IA gerar conteúdo incorreto, ofensivo ou difamatório?

A resposta é direta: você, o autor humano.

A inteligência artificial não tem personalidade jurídica e, portanto, não pode ser responsabilizada civil ou criminalmente. O que significa que:

  • Se a IA gerar dados errados e você publicar, a responsabilidade pelo erro é sua;
  • Se a IA escrever algo ofensivo ou discriminatório e você usar, a ação judicial será contra você;
  • Se a IA plagiar e você reproduzir, o processo por infração autoral será seu.

Por isso, o uso ético da IA exige curadoria crítica, revisão humana e responsabilidade editorial.

Como usar a IA de forma ética e legal na escrita

A seguir, algumas diretrizes práticas que recomendamos na Editora CLX para autores que desejam usar IA com segurança e integridade:

Use a IA como ferramenta de apoio, não de substituição

Evite “terceirizar” sua escrita completamente. A IA deve inspirar e apoiar, não criar a obra final sozinha.

Sempre revise e reescreva o conteúdo gerado

Adapte o texto ao seu estilo, corrija informações, complemente com sua própria experiência. A voz precisa ser sua.

Cheque todos os dados, citações e referências

Nunca confie cegamente nas respostas da IA, especialmente em temas técnicos, científicos ou jurídicos.

Evite trechos extensos gerados por IA no seu livro final

Prefira usar a IA para apoiar ideias e estrutura. A escrita final deve ter autenticidade humana.

Declare no prefácio ou créditos, se houver uso relevante

Se você usou IA de forma significativa (ex: organização estrutural, sugestões de escrita), pode mencionar isso de forma transparente no material de apoio da obra.

Conclusão: Inteligência Artificial é aliada, não autora

A inteligência artificial pode ser uma grande aliada dos autores, desde que usada com ética, critério e consciência. Ferramentas como o ChatGPT são poderosas, mas não substituem sua vivência, sua voz e sua visão de mundo.

Em última instância, o leitor quer se conectar com um ser humano, não com um algoritmo.

Como autores profissionais, temos a responsabilidade de manter a integridade do nosso conteúdo, sem abrir mão da inovação, mas também sem sacrificar a originalidade.

Leia também: 

1 – Além do comando de voz: a era da Inteligência Artificial Preditiva na Automação Residencial de Luxo

2 – Inteligência Artificial na Casa: A Evolução da Automação para a Autonomia

3 – IA na Contabilidade: O Futuro da Análise Preditiva e os Riscos Envolvidos

Cláudio de Araújo Schüller é Executivo Sênior com mais de 25 anos de trajetória multidisciplinar. Advogado , Contador e graduando em Ciência da Computação , possui dezenas especializações (Pós-Graduações e MBAs) que unem tecnologia e gestão. Sua expertise abrange áreas como Automação e IoT, Inteligência Artificial, Cibersegurança, Robótica, Engenharia Elétrica, Edificações Sustentáveis e Cidades Inteligentes.

É CEO da CLX Tech & Design , presidente do IBAR e autor da Trilogia da Automação (Casa InteligenteCasa Inteligente para Arquitetos e Casa do Futuro). Cláudio também é o host do Podcast Casa Inteligente e compartilha tendências em seu canal no YouTube.

Conecte-se e saiba mais: claudioaraujoschuller.com.br